topbella

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Teclas...

Eu preciso das teclas!
Em pensamento é por elas que eu busco assim que alguma idéia brota nessa minha mente romântica e fértil.
Romântica sim, como nos contos mais melosos de antigamente, mas metida à besta como na sofisticação dos dias atuais.
O computador, desde que entrou em minha vida, passou a ser parte integrante do meu kit de sobrevivência em todas as selvas onde eu possa ir parar.
Não é que o papel e a caneta estão sendo, com isso, descartados da minha rotina, mas é com pesar que eu admito: eles não me inspiram mais como antes. Não mais do que as teclas.
Agora, quando me entrego ao mundo encantado das letras, para onde eu queria me mudar definitivamente, é para as teclas que eu corro, e recorro. Esse papel em forma de caixa iluminada (em todos os sentidos), e essa caneta em quadradinhos que dá a cada letra, ponto e sinal uma identidade peculiar, são hoje os instrumentos que definitivamente me conquistaram.
É claro que eu não pretendo abolir o papel e a tinta, nem pensar! No final, tudo volta mesmo ao bom e velho papel. E eu gosto de papel. Quanto mais coloridos, e novas texturas, melhor! E canetas também. Ainda faço coleção delas, e não resisto às extravagantes e de cor rosa.
Mas quando a inspiração aparece, não importa o gênero, são as teclas que eu busco, é nelas que desejo descarregar esses impulsos íntimos. Aquele barulhinho de tlec tlec tlec a cada letra que materializa meus pensamentos se tornaram irresistíveis.
Sei que são, às vezes, frias demais, alvos de duras críticas dos amantes do pergaminho, e dependendo do lugar ou situação, ainda, inacessíveis. Mas são delas que eu sinto uma falta terrível. Meus dedos mexem sozinhos, meus ouvidos detectam, esteja onde estiver, o barulhinho delas. E até quando, sem escolha, volto ao rejeitado papel, deliro tentando achar as teclas de atalho, ou o corretor ortográfico para auxiliar em meus rabiscos.
Não sei. Minha mãe, que era digitadora, conta que toda a minha gestação aconteceu sobre as teclas, e seus colegas de trabalho perguntavam como ia a “digitadorinha”. Talvez seja essa a melhor explicação para a minha fissura. Depois que entrei para esse mundo digital não penso mais em outra coisa.
É inquestionável, porém, o tom romântico e criativo do papel, e das tintas que carimbamos nele de diversas formas, assim como o valor sentimental do original, que é intransferível, como a primeira versão rabiscada, por exemplo. Mas eu não consigo explicar. Assim que a poesia, a crônica, a crítica, o assunto, enfim, surgem, eu já ouço o tlec tlec tlec, e sinto meus dedos se mexerem para cima e para baixo, em perfeita sintonia. Os dedos são os bailarinos, as teclas são o palco, e as idéias, sinfonia.
Escrever é o que eu gosto. O tempo todo eu escrevo, mentalmente. Todas as situações são automaticamente convertidas em textos em minha mente. Eu monto, em pensamentos, os mais variados textos. Primeiro vejo algo que facilmente me remete a esse planeta fantástico das histórias, e logo me imagino escrevendo, de forma a enxergar claramente a construção, sem parar. Então, antes que eu possa me dar conta, sou acometida de uma terrível necessidade das teclas. Elas, e suas facilidades, e seu barulhinho.
Em frente a elas, de tlec em tlec, vou vendo acontecer, registrando um pouco do que há de maior em mim. Lá do fundo, um mundo à parte que há dentro de quem conhece o sabor que tem esse casamento de letrinhas, vai surgindo e me trazendo bem-estar, tranqüilidade. É uma sensação deliciosa que agora é, inquestionavelmente, imortalizada através do idioma moderno e viciante do tlec tlec tlec das teclinhas.

Ilha Mulher...

Reservada e desconhecida, essa ilha deságua em si mesma. Enfeita-se de todas as vaidades, é sua característica principal. Veste-se de mistério, jamais foi habitada. Sabe tudo de si e muito dos outros, mas jamais permite que descubram seus segredos. Talvez seja grande e vasta demais para que sua descoberta seja possível.

Muito admirada. Desejada! Mas quem a observa fica de longe. Por mais que se aproxime, a distância sempre é grande demais. Não que a Ilha se mova, fugindo de qualquer um que se aproxime. É que ela é como o horizonte: ao alcance dos olhos mas longe das mãos. Está ao alcance de todos os olhares, mas longe de qualquer entendimento.

É bela, dócil, sutil, pura e forte. Mas é exigente! Seu destino é mesmo ser desconhecida... eternamente desconhecida, pois é a única que sabe de suas vontades, seus limites e o caminho para realizar seus sonhos – tão simples, no entanto tão impossíveis . Ainda não a olharam desprovidos de receio e malícia para poder desvendá-la.

A Ilha Mulher é um mundo oculto dentro de seus encantos. Ainda não se sabe se é uma ilha com um imenso coração ou um imenso coração guardando uma ilha. O importante é que já se sabe que as águas que a envolvem e protegem são feitas da mais pura emoção.

Viagem sem fim...


Decidi viajar sem data prevista para voltar, sem planos previamente traçados, sem saber por onde irei passar.

Vou pegar meu barquinho de papel e deixá-lo navegar livremente. Que me leve para onde quiser, para onde a maré empurrar. Eu vou relaxar e curtir a viagem, observar cada passagem e sentir as estações.

Se meu barquinho de papel precisar de ajuda para seguir, usarei minhas canetas coloridas como remos e darei continuidade à minha viagem.

E navegando por águas calmas, experimentarei a brisa fresca desse mar límpido, onde cada letra representará uma espécie rara de peixe que enriquece o fundo de mares nunca navegados.

E assim irei, calmamente remando com canetas coloridas entre letras encantadas, com meu barquinho de papel. E não sei quando e como irei voltar, porque minha bagagem serão as lembranças das coisas que vivi, as armas serão tudo o que aprendi, e serei alimentada pelas novas descobertas que essa viagem sem rumo me trará.

Será nessas águas mansas que mergulharei para lavar o corpo e a alma, e de mais nada precisarei. Meus remos darão cor ao meu novo rumo, e quem sabe esse meu barco de papel resolva desembarcar eternamente em alguma Ilha que eu mesma criarei.

Palavras Soltas...

Seja qual for o risco, se a emoção é forte e genuína, tudo vale a pena, mesmo que represente o fim.
Mas acredite, nunca é o fim, mas o recomeço de algo novo que não sabemos ser novo. E que nunca saberemos se é, realmente, recomeço ou fim, afinal.
Só se aprende quando se sente na pele. Por isso a sensação é tão importante. Ela é a lição, e é a partir dela que começa o crescimento.
E o crescimento não termina jamais, a não ser para as almas medíocres, que se recusam a encarar a vida e a viver. Elas, coitadas, sequer chegam a nascer.
Esse barulho, esse movimento, essas indagações nunca serão o bastante. Não há lição suficiente, porque não há fim, e não há verdade nem mentira. A vida, a morte... é tudo recomeço.
E isso é tudo.
Ou é nada.
Depende do valor e da utilidade que você dá ao que aprendeu.

Não se esconda...

Não se esconda de mim. Meus olhos, mesmo sem poderem te ver, buscam incansavelmente por todos aqueles elementos que me fazem reviver dias inesquecíveis.

No fundo, não é o ver ou o tocar que satisfazem o amor. O amor só é satisfeito pelo sentimento, por aquilo que representa, pelas marcas que deixa, pelo que se torna inquestionavelmente maior do que qualquer outra coisa. É a saudade, mas principalmente, a certeza de que o distanciamento não acaba com a lembrança e nem com a vontade de que continuasse para sempre.
E o sempre é o documento que prova o valor disso que eu agora relato a você. Não se esconda de mim, não. A ausência de palavras e afirmações não irão ajudar nesse processo que, na realidade, é mais doloroso do que o próprio fim. Declarações cada vez mais espaçadas ou o próprio silêncio não servem para nada quando a força do que foi dito antes ainda permanece nos cantos das nossas almas.
Não adianta ficar do lado de trás da porta, mas ainda colado a ela para ouvir o que se passa do lado de cá. Eu não faço segredos para você. Não se esconda e nem esconda seu coração de mim, porque o que não podia acontecer já aconteceu, e agora já faz parte da história de nós dois, por mais que ela não seja escrita a quatro mãos.
A força do que foi ainda é mais forte do que essa, do que é, do que está sendo. Não esconda seu brilho de mim, seus sussurros, seus desejos repentinos e despropositados. Eu ainda estou aqui, e junto comigo, o efeito teimoso de tudo que, juntos, já fizemos existir. E uma vez existente, não morre mais.
Embora invisível, construímos algo que se confunde, as vezes, ao amor. E por ter sido assim, tão incerto e tão improvável, permanece no ar misturado ao oxigênio das nossas lembranças eternas. Não se esconda de mim. Você é parte disso também, desse aroma que sempre será incomparavelmente único, dos elementos mais simples, do que nunca mais deixará de ser verdade.

Há, mesmo, flores por todos os lados. Mas algumas pessoas são únicas na arte de nos fazer percebê-las...


Certas coisas têm um gosto tão especial que elas podem acontecer poucas ou muitas vezes durante a vida; seguidamente ou apenas de tempos em tempos; a sensação é sempre a mesma: inesquecível. Ganhar flores é uma dessas coisas.

Tudo que vem da natureza sugere romance, poesia, pureza. Dizem que a maneira mais limpa de o ser humano renovar suas energias é aprendendo a entrar em contato com a natureza e tirar dela as forças necessárias para seguir. Para isso, basta aprender a admirá-la, a senti-la, a incorporá-la como uma filosofia natural de vida. Poucas pessoas sabem disso ainda, infelizmente, por isso, para repor essas energias a que todos somos tão dependentes, roubam umas das outras, de uma forma errada e muito pesada.
 

Cada pessoa desenvolve uma forma diferente de tirar do seu semelhante um pouco da energia que precisa pra se manter de pé e ativo. Uns usam de autoritarismo, outros de pressão, outros investem em sentimentos de inferioridade ou humilhação, outros abusam da bondade alheia, enfim, são muitas as formas, conscientes ou não. Mas o ideal mesmo, o mais correto e de valor mais legítimo, é retirar da natureza, numa troca mágica de admiração espontânea, a energia da vida.

Essa troca, quando é aprendida, vai sendo aprimorada ao longo da existência, e cada vez adquirimos uma força vital mais segura, tranqüila e sábia, como a natureza. E também, à medida que avançamos nessa interação fantástica, menos esforço fazemos e mais prazer incorporamos. De repente, dedicar amor, atenção e uma admiração torna-se um hábito natural.

Ganhar flores sugere mais do que a beleza do ato, a gentileza, a vontade de justificar um bem-querer especial. Ganhar flores, pra mim, é receber um convite muito sincero a admirar a beleza da vida, de Deus, do existir. É um chamado à consciência para ser feliz com o mais simples que há, a olhar pra dentro de si, a mergulhar mais fundo dentro da própria alma – assumir um grau a mais do próprio conhecimento. Uma simples flor, tão pura, tão singela, me soa como um chamado de atenção que diz: “não perca tanto tempo com coisas menores quando há todo um mistério a se desbravar de dentro pra fora”. Ganhar flores é um sinal para se respirar mais fundo, sem culpa, sem medo, e olhar pra vida de uma forma diferente, autêntica, livre.

As flores, ao serem dadas de presente, são automaticamente carregadas pelos sentimentos vitais da amizade, do amor, da admiração, da gratidão e tudo o que se deseja passar a quem recebe esse lindo presente. Só que não pára por aí. Mais do que carregar sentimentos tão necessários, você leva pra dentro da casa dessa pessoa uma infinidade de intenções benditas que se espalham gradualmente com o perfume, a beleza e a presença inquestionável desse pedaço de natureza que ilumina qualquer ambiente e acalenta qualquer coração.

E quando um presente desse ainda vem acompanhado com a surpresa de um mistério, e mais tarde com uma revelação tão doce, o presente se torna eterno, assim como a amizade que jamais deixará de florescer no coração de quem foi tão ternamente lembrado e tão belamente homenageado.

Como as dificuldades da vida tornam-se pequenas diante de um lembrete desse! Um recado suave, porém gritante, que só faz dizer o quanto vale a pena estar vivo e encontrar pessoas incríveis, e sentir essa coisa louca, inexplicável e fantástica chamada AMIZADE.

“Bella, seu presente, que veio carregado de sua presença – ainda mais, porque eu sempre te carrego em meu coração – encheu minha casa de alegria e minha alma de ESPERANÇA! E como eu estava carente desse sentimento! A surpresa foi linda e eu nunca irei esquecer, porém, foi mais especial ainda depois que eu descobri que vinha de você, minha grande amiga!
      Milhões de vezes OBRIGADA! Tanto pela gentileza, quando pela lembrança, mas principalmente pela importância que você, e as flores que brotam no seu caminho, têm na minha vida. Estamos tão longe, mas eu nunca senti assim. De tantos amigos que estão por perto, você está entre os mais presentes, os mais sinceros e os mais necessários.
Jamais irei esquecer esse perfume que você espalhou no meu dia, no meu coração, na minha história.”
Te amo!

Apenas Silêncio...

Não conseguia compreender o seu silêncio. Sou barulhenta e bagunceira, e isso me torna insensível com os quietos. Com a verdade profunda. Com você, que nutre uma quietude que não aplaca apenas a fala, mas também os olhos, os movimentos, as intenções. Não consigo te ler! O não saber que esse silêncio impõe sempre me incomodou demais, porque eu preciso saber das coisas, gosto de ouvir o barulho das aflições, das exuberâncias, das contenções, das saliências, das dúvidas, das verdades, dos absurdos que compõem cada pessoa. Por mais incertos e tresloucados que sejam esses impulsos, prefiro ouvi-los. Assim como prefiro, desajustada, emiti-los. 

Essa minha mania de viver depressa demais não te deixaria mesmo escapar, daí a vontade louca de te tomar num gole só. Mas você não é pra ser tomado em goles, quanto mais num só. Você é um oceano inteiro. Um oceano de águas inexploradas – as vezes temidas, as vezes desafiadas sem qualquer prudência, mas nunca navegadas de verdade. E só agora me dei conta que o seu silêncio é sua defesa. É a forma que encontrou de proteger-se dos medos, das grandes constatações, das próprias revelações. Então você se veste de jangada e se lança à deriva de si mesmo, e quem te sobrevoa se atenta à jangada solitária e esquece o oceano. E lá está você. Aparentemente feito de águas calmas e desabitado. Aparentemente. Escondido e inalcançável.
 

Senti-me culpada agora. Por fazer tanto barulho. Por não compreender o seu silêncio. Por não respeitar sua autoproteção em forma de sigilo. Por querer fazer onda no seu mar congelado. Só agora entendo muitas das coisas que você disse sem emitir ruído algum. Talvez eu aprenda com você a poupar também as cordas vocais da minha alma, que berra o tempo todo, propagando minha ânsia aos quatro ventos enquanto você só faz engolir a sua. Talvez eu aprenda, finalmente, a não impor minha música pobre aos ouvidos que me circundam. Senti-me egoísta e infantil agora. Porque você suporta as intempéries do tempo e do clima sem reclamar. Sozinho. Calado. Recebe e acolhe as gotas e os granizos despejados pelas tempestades que eu e outras nuvens pesadas impomos sobre você. Mesmo assim você se mantém. Poderia nos afogar se quisesse, mas prefere afogar-se no próprio mistério, e isso te torna cada vez mais profundo, mais distante da superfície. Mais calado.
 

Olhei nos teus olhos escuros com mais cuidado desta vez. Sem pensar apenas em mim, sem querer tanto, sem intenção nenhuma. Olhei em sossego e com o único intuito de buscar-te. Foi aí que enxerguei mais do que a jangada. Foi quando atentei-me à sua infinitude e à minha  superficialidade. Você é um mar repleto de tesouros e de histórias. De águas límpidas, mas não transparentes. Um oceano de segredos. Impenetrável. Uma dessas obras-de-arte naturais que ainda não encontrou um explorador à altura. Só o silêncio.

*-*

Minha foto
Nayara Santos
Eu gosto da impressão que o amor me causa.
Ver meu perfil completo